Exportações do agronegócio brasileiro batem recorde e chegam a US$ 103,4 bilhões

  • Fotos: Magnific) -

Soja, carnes e milho puxaram o avanço das vendas externas, com a China mantendo liderança entre os destinos

As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 103,4 bilhões entre janeiro e julho de 2026, o maior valor já registrado para o período. O resultado representa crescimento de 6% em relação aos primeiros sete meses de 2025 e reforça a importância do setor para o comércio exterior do país.

Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das vendas de soja em grãos e carne bovina in natura, além do avanço de produtos como frango, algodão, milho e farelo de soja.

Somente em julho, as exportações do agronegócio somaram US$ 16,34 bilhões, recorde para o mês e 5,4% acima do resultado registrado em julho de 2025.

O complexo soja foi o principal setor exportador do agronegócio brasileiro no acumulado do ano, com US$ 42,1 bilhões, o equivalente a 40,7% das vendas externas do setor. Na sequência aparecem carnes, com US$ 20,5 bilhões; produtos florestais, com US$ 9,8 bilhões; café, com US$ 7,5 bilhões; e o complexo sucroalcooleiro, com US$ 5,8 bilhões.

Juntos, os cinco segmentos responderam por 82,8% das exportações do agronegócio no período. Entre os produtos, a soja em grãos foi o principal destaque. As vendas alcançaram US$ 35 bilhões, alta de 15,3%, enquanto o volume embarcado chegou a 83 milhões de toneladas, crescimento de 7,5%.

A China manteve a liderança entre os destinos dos produtos do agronegócio brasileiro. De janeiro a julho, o país importou US$ 36,2 bilhões, o equivalente a 35% das exportações do setor e um crescimento de 8,9% na comparação anual.

Soja em grãos e carne bovina foram os principais produtos responsáveis pelo avanço das vendas para o mercado chinês. Juntos, somaram US$ 29,7 bilhões, ou 82,1% das exportações brasileiras do agronegócio destinadas ao país.

A União Europeia apareceu em segundo lugar, com US$ 15 bilhões, seguida pelos Estados Unidos, com US$ 5,9 bilhões. A carne bovina in natura também apresentou forte desempenho. As exportações chegaram a US$ 10,5 bilhões, crescimento de 30,1% em relação aos primeiros sete meses de 2025.

O volume embarcado alcançou 1,7 milhão de toneladas, alta de 10,2%, enquanto o preço médio avançou 18%, passando de US$ 5.180 para US$ 6.115 por tonelada.

A China foi novamente o principal mercado, com compras de US$ 5,3 bilhões, crescimento de 31%. Os Estados Unidos também ampliaram as aquisições, que chegaram a US$ 1,3 bilhão, alta de 48,1%.

As exportações de carne de frango in natura somaram US$ 5,8 bilhões, crescimento de 19,9%. O volume embarcado chegou a 3 milhões de toneladas, alta de 15,2%. O farelo de soja registrou US$ 5,4 bilhões em vendas externas, avanço de 16,5%, enquanto o volume exportado alcançou 15,1 milhões de toneladas. Já o algodão gerou US$ 3,1 bilhões em exportações, alta de 13,6%, com 2 milhões de toneladas embarcadas.

As vendas externas de milho chegaram a US$ 2,2 bilhões, crescimento de 11,4%. O volume exportado foi de 9,8 milhões de toneladas, alta de 10,5%.

A carne suína in natura também manteve trajetória de crescimento, com US$ 2 bilhões em exportações, aumento de 5,2%. O volume embarcado foi de 799,2 mil toneladas, alta de 7,5%.

Nem todas as cadeias tiveram desempenho positivo. As exportações de café verde somaram US$ 6,8 bilhões entre janeiro e julho, queda de 17,8%. A redução ocorreu principalmente devido à queda de 15,1% no volume embarcado e de 3,2% no preço médio. O recuo nas vendas para importantes mercados, como União Europeia, Estados Unidos e Japão, também influenciou o resultado.

A celulose, por outro lado, registrou US$ 6,2 bilhões em exportações, alta de 0,6%. Apesar da redução de 7% no volume embarcado, o aumento de 8,1% no preço médio sustentou o crescimento da receita.

O desempenho do agronegócio brasileiro em 2026 também foi marcado por recordes em diferentes cadeias produtivas. Entre janeiro e julho, foram registrados recordes de volume ou valor exportado em produtos como soja em grãos, carne bovina, farelo de soja, celulose, carne de frango, algodão, carne suína e bovinos vivos.

O resultado consolida o agronegócio como um dos principais pilares do comércio exterior brasileiro e demonstra a capacidade do país de ampliar a presença de seus produtos no mercado internacional.

Apesar do desempenho positivo, a concentração das exportações em alguns produtos e mercados continua sendo um ponto de atenção. China, União Europeia e Estados Unidos concentram parcela significativa das compras, enquanto as oscilações de preços internacionais e da demanda podem influenciar o resultado ao longo do ano.

Mesmo assim, com US$ 103,4 bilhões exportados até julho, o agronegócio brasileiro mantém trajetória de crescimento e caminha para um novo ano de forte participação na balança comercial do país.

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