Estudantes de Joinville conquistam medalha de bronze na Olimpíada de Empreendedorismo 2026

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Estudantes do Ensino Médio da Coree International School criaram o conceito da BIOTAG - etiqueta inteligente para detectar o estado de conservação de carnes

Quatro estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Médio da Coree International School, em Joinville, conquistaram medalha de bronze na Olimpíada de Empreendedorismo 2026. A competição nacional é destinada para alunos do Ensino Fundamental e Médio e conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nesta edição, mais de 40 mil estudantes se inscreveram no concurso.

Com base em pesquisas já existentes de colorimetria dos alimentos, a equipe de Joinville desenvolveu o conceito de uma etiqueta biológica que consegue detectar o estado de conservação de carnes, aumentando a precisão em relação ao frescor do produto para consumo. Denominada BIOTAG, a ideia nasceu de uma pergunta simples: ao escolher uma bandeja de carne no supermercado, o consumidor pode confiar que a data de validade impressa reflete o estado real do produto?

No Brasil, a data de validade dos alimentos é orientada pela Anvisa e definida pelos produtores, considerando as condições esperadas de produção e armazenamento. Na prática, entretanto, variações de temperatura no transporte ou no armazenamento podem fazer a carne estragar antes da data. O contrário também ocorre: alimentos ainda em ótimas condições são descartados porque ultrapassam a data de validade. 

O projeto foi reconhecido tanto pela inovação da ideia quanto pelo estudo de um modelo de negócio que seja viável e rentável. A equipe formada por Joaquim Bento da Silva, Lucas Shigueo Rodrigues Iwamura, Mariana Bornschein Pires e Rafaela Godoy Bartos trabalhou em torno de seis meses no projeto, com orientação da professora Gabriela Liliana Egea, mestre em Engenharia de Produção e doutoranda em Saúde e Meio Ambiente.

“Ver esses quatro estudantes transformarem uma dúvida do dia a dia em uma proposta com base científica, pensando em desperdício de alimentos e em segurança para o consumidor, mostra o quanto o empreendedorismo e a ciência caminham juntos na escola”, afirma a professora Gabriela Egea. 


Como funciona a etiqueta 

A proposta da BIOTAG é ser uma etiqueta de biopolímero biodegradável que utiliza um pigmento natural chamado antocianina. O produto deve ser fixado na tampa da embalagem, em contato com o ar, mas sem tocar na carne. Quando microrganismos e reações químicas começam a deteriorar o alimento, eles liberam compostos voláteis que mudam a cor do pigmento da etiqueta. Por meio de três faixas, a intenção é que o selo indique ao consumidor se a carne está fresca, em estado de atenção ou de deterioração.

A leitura da etiqueta deve ser simples e visual, sem necessidade de aplicativos. Ainda assim, o produto também terá um QR Code capaz de identificar o índice de frescor do produto em um nível de 0 a 100. O próximo passo agora é desenvolver e calibrar as cores da etiqueta em laboratório, em possível parceria com universidades da região. 

Modelo de negócio

Para estruturar o modelo de negócios da BIOTAG, os estudantes da Coree International School consideraram a dimensão do mercado brasileiro de proteína animal. Segundo dados do IBGE, o país abateu 6,69 bilhões de frangos e 42,94 milhões de bovinos em 2025. A proposta é vender etiquetas inteligentes para frigoríficos, processadores, supermercados e distribuidores. O modelo prevê receita recorrente: cada nova bandeja de carne embalada exige uma etiqueta, sem cobrança de assinatura do consumidor. Um frigorífico que embala 2 milhões de bandejas por mês, por exemplo, utilizaria a mesma quantidade de etiquetas.

Em uma etapa futura, a equipe pretende desenvolver o BIOTAG Analytics, um painel para redes de supermercados que reunirá informações sobre lotes, frescor dos produtos, temperatura, alertas e histórico, além de dados sobre o descarte evitado.


Sobre a Olimpíada de Empreendedorismo

A competição conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universidade de São Paulo (USP), que validam os certificados de participação. O banco Santander e a Uninassau também estão entre os parceiros. Durante três meses, os participantes recebem aulas e mentorias online de embaixadores e de alguns dos maiores investidores do Brasil. Na fase seguinte, os estudantes apresentaram seu pitch, em vídeo, para a comissão avaliadora. O resultado da terceira colocação foi anunciado no final de outubro. 


Sobre a Coree International School 

Referência em educação internacional no Sul do Brasil, a Coree International School é a única escola de Santa Catarina e uma das 23 em todo o país autorizadas a oferecer o IB Continuum, programa completo da International Baccalaureate Organization - da educação infantil ao ensino médio.

A proposta pedagógica da Coree valoriza o desenvolvimento integral dos estudantes, incentivando habilidades como investigação, comunicação, pensamento crítico, colaboração, autonomia e atuação global, formando jovens preparados para os desafios de um mundo em constante transformação.

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