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Príncipes do Samba leva ancestralidade e tradição à avenida como maior campeã do Carnaval de Joinville
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Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação -
Escola de samba mais antiga da cidade soma 13 títulos e aposta em enredo sobre o baobá para brilhar no desfile competitivo
A escola de samba mais antiga de Joinville entra na avenida Beira Rio com o peso da história e a força de quem construiu o Carnaval da cidade. A Príncipes do Samba é também a maior campeã do Carnaval joinvilense, com 13 títulos que simbolizam a trajetória de resistência cultural da agremiação, nascida na Sociedade Beneficente Kênia, espaço criado por amigos que encontraram no samba uma forma de celebração, identidade e resistência.
“A Príncipes surge dentro do Kênia Clube, um clube de negros, de resistência. Um grupo de amigos que frequentava o clube entendeu que poderia criar um bloco e, depois, uma escola que fizesse essa parte cultural de trazer o samba para Joinville. São 40 anos de tradição com o objetivo de mostrar que Joinville tem um Carnaval potente”, destaca a presidente da escola, Ana Paula Nunes Chaves.
Para ela, a retomada do desfile competitivo representa mais do que uma disputa por títulos. “Queremos resgatar e mostrar o quanto essa cultura é importante para Joinville e, além disso, consolidar a relevância da escola na cidade”, afirma.
Enredo exalta ancestralidade e o baobá
No Carnaval deste ano, a Príncipes do Samba leva para a avenida um samba-enredo que exalta o baobá, árvore sagrada na lenda Iorubá e símbolo de ancestralidade e sabedoria. “É uma árvore de tronco oco onde os saberes ficam acumulados. No continente africano, ela serve de sombra para as crianças estudarem e tem um significado muito forte”, explica Ana Paula.
Presente principalmente em Madagascar, mas também encontrada no Brasil, o baobá representa raízes sólidas e a transmissão do conhecimento entre gerações. “Queremos contar a história dessa árvore que simboliza a ancestralidade, onde o griô, os mais velhos, transmite oralmente os saberes na sombra. É um resgate ancestral, que acontece também na nossa quadra, com os mais velhos em conexão com os mais novos”, completa.
Na quadra do Kênia, os ensaios reúnem foliões de todas as idades em um ambiente familiar. “Temos desde crianças até a nossa matriarca, com 92 anos, desfilando. É um trabalho de história e de resgate da nossa cultura, que respeita todas as gerações”, ressalta a presidente.
O samba-enredo tem pesquisa da educadora Alessandra Bernardino, composição de Conrado Laurindo, presidente da Acadêmicos do Sul da Ilha, de Florianópolis, e interpretação de Pitty Menezes, cantor da escola carioca Mocidade Independente de Padre Miguel.
Fantasias produzidas em Joinville
Além de ser espaço de ensaios, a Sociedade Beneficente Kênia também se transformou no ateliê da escola. Quase todas as fantasias estão sendo produzidas em Joinville, com participação direta da comunidade. “Grande parte das fantasias está sendo feita aqui. É muito especial saber que cada integrante vai para a avenida levando um pouco do seu trabalho, porque ajudou nesse processo de confecção”, conta Ana.
Durante o ano, a escola também investiu em formações nas áreas de corte e costura, percussão, mestre-sala e porta-bandeira e passistas. “Queremos mostrar na avenida tudo o que construímos ao longo desse tempo: a evolução da bateria, da comissão de frente, das passistas. A gente quer muito esse título”, afirma.
Na escola de samba mais antiga de Joinville, a volta do desfile competitivo representa novos desafios e reforça o compromisso de manter viva a cultura carnavalesca. “A ideia é resgatar uma tradição de muitos anos e mostrar que Joinville pode produzir um Carnaval à altura do que a cidade merece”, conclui.
Escola de Samba Príncipes do Samba
Samba-enredo: “Baobá, a árvore sagrada: morada do tempo, saberes, memórias e resistência!”
Ano de fundação: 1986
Cores: azul e branco
Cerca de 600 componentes
Duas alegorias e três tripés
23 alas

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