Joinville realiza vacinação neste fim de semana para atualizar calendário vacinal da população |
Discord: o submundo perverso onde predadores caçam menores de idade
-
Foto: Internet / Reprodução -
Uma investigação revelou um lado obscuro do Discord, um aplicativo popular entre adolescentes. Anteriormente, foi exposto na internet o envolvimento de jovens em um submundo de violência extrema através do aplicativo. Agora, a nova investigação revela um território sem lei onde predadores caçam menores de idade.
A promotora Maria Fernanda Balsalobra deixou claro que essas práticas não são desafios praticados por adolescentes, mas sim crimes cometidos por delinquentes, a maioria dos quais são maiores de idade, explorando a vulnerabilidade de crianças e adolescentes na plataforma. O delegado Fábio Pinheiro Lopes descreveu esses criminosos como sádicos, misóginos e com ódio contra mulheres.
O Discord permite que as pessoas se comuniquem através de transmissões ao vivo de vídeos dentro da plataforma. As vítimas são chantageadas a cumprir desafios e, se recusarem, fotos íntimas são vazadas.
Um dos criminosos revelou uma coleção cruel de pastas intituladas "backup das vagabundas estupráveis", onde cada pasta contém o nome de uma vítima. Dezenas de meninas foram violadas, chantageadas, expostas e catalogadas.
Izaquiel Tomé dos Santos, conhecido como Dexter, um dos criminosos envolvidos, está preso desde abril. Há denúncias de pelo menos dez vítimas, incluindo fotos de meninas nuas com mutilações, nas quais o nome Dexter foi escrito com lâminas em suas peles.
Em depoimento à Polícia Federal, Izaquiel admitiu ter chantageado as garotas para que elas se mutilassem e ocultassem as lesões de suas famílias. Além das dez vítimas identificadas pela PF, o Fantástico descobriu outras cinco.
A polícia prendeu dois criminosos que agiam na plataforma na última sexta-feira (23) e identificou um terceiro criminoso, Carlos Eduardo, conhecido como DPE, que está foragido.
Além da responsabilização individual dos agressores, o Ministério Público de São Paulo está investigando o próprio Discord por sua falta de segurança. Segundo o promotor de Justiça Danilo Orlando, há um discurso estruturado de ódio na plataforma, que facilita o planejamento de ataques às vítimas e a transmissão do conteúdo criminoso.
O porta-voz do Discord afirmou em entrevista que a plataforma não tolera comportamentos odiosos e que trabalha ativamente para remover esse tipo de conteúdo. O Discord é utilizado por mais de 150 milhões de usuários em todo o mundo.
O especialista em estudos da criança, Hugo Monteiro Ferreira, realizou uma pesquisa sobre a condição social e emocional de adolescentes e crianças. Ele nomeou essa geração como a "geração do quarto", devido à sua tendência de se refugiarem no mundo da internet, onde são expostos a manipulação, violência e conteúdos extremos.
A jornalista Letícia Oliveira, que monitora grupos de ódio e violência nas redes sociais há dez anos, enfatiza a necessidade urgente de compreender o que está acontecendo para tentar mudar essa realidade, uma vez que a exposição constante à violência dessensibiliza esses jovens, levando-os a cometer atrocidades.
É crucial que os pais estejam atentos, conversem preventivamente com seus filhos e verifiquem se há lesões ou se passam muito tempo isolados em seus quartos. O diálogo e a conscientização são fundamentais para combater essa ameaça que afeta a segurança de menores de idade na internet.

Deixe seu comentário