Da redação - Onévio Zabot - 9h18min - 25/12/2022 - Simples assim: João e Maria, mas que sítio, hosana! De cara dona Maria. Cadeira de rodas. Percebe-se, no entanto: tudo nela transluz. Olhos graúdos, duas jaboticabas maduras. Simpatia de gente. Como assim, dona Maria? Informa a seu modo:
- Infecção hospitalar. De uma simples cirurgia retornou assim: cadeirante. Coluna comprometida. Mesmo assim, não dá trégua. Entregar-se, nunca. Que é isso gente! O sítio - o sonho de uma vida toda -, esplendor de recanto. Dona Maria é assim desde que se conhece por gente: tudo o que toca vira ouro. Midas ela. Vendo a sua resiliência os filhos retornaram.
Não foi, no entanto, tão simples assim para ela, e nunca será para ninguém. Ver o ambiente, embora rústico, devidamente projetado e bem cuidado: galpão grande para festejos maiores; e o outro, ao lado, para eventos mais miúdos, mas não menos pomposos. Playground. E o pomar, então; frutas maduras para colher. À mão, as laranjas. Acerolas. E o jardim... combinação de cores e aromas. As flores não apenas exalam... falam com os visitantes enquanto o vento farfalha sobranceiro. O sítio de dona Maria é assim:
- Meu Sítio, Meu Paraíso, versão sertaneja. Nisso aparece seu João. De bicicleta, esbanja simpatia. Ali, cada um tem uma missão. Importante, os filhos pegam junto. Dois rapazes e duas jovens, mais os netos. Ramada dos Souza. Família unida, orgulho do casal.
Certamente, o turismo rural representa o que há de mais ousado no campo. É recente? Nem tanto assim. Mas cada dia se faz mais presente. Não importa o rincão; se perto, ou longe. Importa a atratividade. Mas cá entre nós: abrir uma propriedade à visitação exige um bocado de ousadia. Saint Exupéry, aquele do Pequeno Príncipe, já dizia:
- És responsável por quem cativas”. Cativar. Isso mesmo cativar as pessoas exige, sobretudo, espírito aberto. Ou por outra: providências. Ser gentil e, ao mesmo tempo, rigoroso. Fala mansa, mas firme, pois há turistas e turistas. E visitantes e visitantes. Há os reservados, mas há os espoletas. E até tigres entre coelhos e lebres.
Jeferson, encarregado das preliminares, alertava. Fazia questão de exemplificar: - Dia desses - embora senhoras distintas -, a festança foi grande. Acabou na piscina de roupa e tudo. Óculos, ainda estão procurando os óculos. Com os mesmos, tudo bem, imagina às cegas. E lentes de contato, então. Sai de baixo.
Daí, as clássicas recomendações:
- Cautela, boa gente. A roupa no lugar certo. Ducha d’água preventiva. Guesser lá das bandas de Schroeder, provoca:
- Quantos cabem na piscina? E o chuveiro é com água morna. Quentinha. Gargalhada geral. Percebe-se que embora o prenúncio de verão, a temperatura caiu. Recuo geral.
Faço questão de perguntar à Daniela, extensionista da Epagri em Araquari, como tudo começou. Afinal, o sítio, embora próximo da cidade de Araquari, é afastado, pois o acesso ocorre pela antiga estrada do Rio do Morro; está recentemente asfaltada. A paisagem, no entanto, é simplesmente encantadora. Vegetação típica de restinga. Trechos de mangue. E, ao fundo o rio Parati. Como rio de várzea é sossegado. Águas dormentes. Ledo engano informa, Daniela. A vezes, quando a cobra catuto sobe, espraia. A lenda da cobra catuto roda solta nas bandas do Parati. Senhora lenda. Causos de pescador para derrear concorrência.
O turismo rural, não importa a modalidade: ecoturismo, agroturismo, pesque-pague, trilha, observação de aves silvestres, pousadas, gastronomia típica, ganha notoriedade. Há vários roteiros na região. E, certamente, é uma forma de conhecer e reconhecer o território, a boa gente e, sobretudo os afazeres típicos das lides campesinas.
Nesse aspecto o Sítio João e Maria caí como uma luva. E ver a família unidade, caso de dona Maria e seu João e os filhos. E vê-los acolher os visitantes com enorme alegria, é de encher os olhos.
Ah, em tempo convidamos dona Maria para participar do grupo de cadeirantes de Joinville. Vez por outra reúnem-se lá na estrada do Salto, Vila Nova, sítio de Elói Moloies.
Dona Maria vibra. Faz questão de ressaltar:
- Reaprendi a capinar os canteiros de flores. Enxada pequena. Giro rápido na cadeira de rodas. Informa que dorme muito bem, obrigada. Até demais. O seu exemplo nos comove. Embora os percalços da vida, superou-os. Dona Maria, a senhora não faz ideia de como seu exemplo nos contagia. Precisamos, e muito, de pessoas como a senhora: fortes e perseverantes. E, sobretudo, cativantes. Beijo no coração, dona Maria. Feliz Natal e Próspero Ano Novo pra Todos.
Joinville, 24 de dezembro de 2022

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