Joinville realiza vacinação neste fim de semana para atualizar calendário vacinal da população |
Santa Catarina se destaca com uma das maiores taxas de doação de órgãos no Brasil
-
Foto: Ricardo Wolffenbuttel / Secom -
Estado supera a média nacional em doações e conscientiza sobre a importância da doação no Dia Nacional da Doação de Órgãos
Quando se trata de doação de órgãos, Santa Catarina se destaca como referência no Brasil, superando significativamente a média nacional. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o estado catarinense registrou uma das maiores taxas de doação no primeiro semestre de 2023, com uma média superior a 40 doadores por milhão de população (pmp), em contraste com a taxa nacional de 19 pmp. Além disso, a taxa de não autorização das famílias em Santa Catarina é de 31%, enquanto a média nacional é de 49%.
A secretária de Estado da Saúde, Carmen Zanotto, enfatizou a importância da doação de órgãos: "O serviço de captação de órgãos, coordenado pelo SC Transplantes, nos últimos 20 anos se transformou em uma Política de Estado e tem mantido um desempenho exemplar em Santa Catarina, que se destaca entre os estados que mais captam órgãos no país. Isso é crucial, pois um único doador pode salvar a vida de pelo menos dez pessoas que aguardam por transplantes de órgãos e tecidos".
O ato de amor e solidariedade representado pela doação de órgãos é lembrado no Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, e durante todo o mês com diversas ações. A data, instituída pela Lei nº 11.584/2.007, tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância da doação e estimular as pessoas a conversarem com seus familiares e amigos sobre o tema.
De janeiro a agosto de 2023, a SC Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), registrou 469 notificações de potenciais doadores. Desse total, 208 resultaram em doadores efetivos, o que equivale a uma taxa de 41 doadores por milhão de população (pmp) em casos de morte encefálica no território catarinense. No mesmo período, foram realizados 1.137 transplantes.
O coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade, destacou os excelentes índices alcançados em Santa Catarina: "Uma grande conquista do Sistema Estadual de Transplantes de Santa Catarina é a sua taxa de doação de órgãos. Desde 2017, superamos os 40 doadores por milhão de população. Esse número é mais do que o dobro da média nacional para o mesmo período. Nos últimos 18 anos, em 14 deles, fomos líderes isolados em doações efetivas de órgãos para transplante, e nos outros quatro anos, ficamos em segundo lugar no Brasil, consolidando nossa liderança".
Entre os hospitais que mais contribuíram com doações de órgãos no período, o Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, lidera com 24 doações, seguido pelo Hospital Santa Isabel, em Blumenau, com 20 doações, e pelo Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, com 19 doações.
Santa Catarina se tornou uma referência em taxas de doação de órgãos no Brasil e na América Latina devido a treinamentos constantes e ao desempenho excepcional das equipes das Comissões Hospitalares de Transplantes. Joel de Andrade ressaltou a importância do acolhimento das famílias dos doadores, afirmando que o tratamento humanizado e empático tem contribuído significativamente para a taxa de doação do estado.
Atualmente, 69 instituições hospitalares em Santa Catarina integram o Sistema Estadual de Doação, com serviços de transplante distribuídos em 28 estabelecimentos de saúde, alguns deles realizando transplantes de múltiplos órgãos.
Quem pode doar
Todas as pessoas podem doar órgãos e tecidos. Não é necessário deixar nada por escrito, basta comunicar sua família sobre o desejo da doação, pois ela só acontece após autorização familiar.
Como é o processo de doação de órgãos
- Detecção do potencial doador consistente com morte encefálica ou cardíaca;
- Manutenção clínica do potencial doador (é administrado soro e remédios para os órgãos continuarem funcionando e terem condições de serem transplantados);
- É feita a comunicação de morte aos familiares;
- Após, é realizada a entrevista com as famílias do paciente que não tem contraindicação;
- Com o consentimento da família, são iniciados o planejamento da logística e os procedimentos para remoção dos órgãos;
- Após a efetivação da doação, a Central de Transplantes do Estado é comunicada e através do seu registro de lista de espera seleciona os receptores mais compatíveis;
- Após a retirada dos órgãos, inicia-se o processo de distribuição dos mesmos para serem transplantados.
Do doador para o receptor
A logística de transporte após a retirada dos órgãos é uma das etapas mais importantes, pois quanto mais jovens os doadores, mais complexa é a estrutura devido ao potencial de utilização dos órgãos. O Governo do Estado tem à disposição aeronaves da Polícia Militar e Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), táxi aéreo e voos comerciais, de acordo com a disponibilidade no momento.
Todo o processo movimenta dezenas de pessoas e dura, em média, entre oito e 12 horas, com exceção de órgãos como o coração e o pulmão, que precisam ser transplantados rapidamente, não podendo ultrapassar o tempo de quatro horas.

Deixe seu comentário