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CIDADE DO CABO - O forte sistema de vigilância epidemiológica da África do Sul é um dos trunfos do país no combate à pandemia de covid-19. Foi esse sistema que conseguiu detectar com agilidade a nova variante Ômicron, que reacendeu o alerta mundial para a doença nas últimas semanas. Mas essa vigilância não é algo novo ou especificamente desenvolvido para o momento atual. Ela é uma herança de uma outra crise: a do HIV.
O sistema é considerado estruturado em razão do alto nível de prevalência do HIV na África do Sul, o que impulsionou pesquisas genômicas na área. A rede é composta por acadêmicos e pesquisadores de diferentes universidades que colaboram para agilizar as pesquisas de infecções transmissíveis. A África do Sul está à frente do Brasil e monitora mais variantes do coronavírus, sequenciando 0,82% das cepas contra 0,35% no Brasil. O Estadão mostrou na semana passada que, apesar de ter avançado nesta área desde o início da pandemia, o Brasil ainda sequencia pouco na comparação com outros países, o que pode dificultar a identificação de variantes e o combate a novas ondas da doença.
A taxa estimada de prevalência de HIV na África do Sul, segundo o governo, é de aproximadamente 13,7% da população. Cerca de 8,2 milhões de sul-africanos vivem com o HIV em 2021. Para adultos de 15 a 49 anos, estima-se que 19,5% da população seja HIV positiva, o que representa uma das maiores prevalências proporcionais do mundo.
Há mais de 40 anos na epidemia global de AIDS, há progressos em relação ao combate a esse vírus na região africana. Uma análise da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que o continente reduziu novas infecções em 43% e quase reduziu pela metade as mortes relacionadas à AIDS. Vizinho da África do Sul, a Botswana divulgou na semana passada que atingiu o marco de eliminar a transmissão do vírus HIV de mãe para filho.
"A covid-19 tornou a luta contra o HIV ainda mais desafiadora, mas um vírus não deve vencer o outro. Devemos combater a COVID-19 e o HIV em paralelo", disse Matshidiso Moeti, diretor regional da OMS para a África, em comunicado à imprensa.
Em entrevista ao portal de notícias da OMS, o professor brasileiro Tulio de Oliveira, pesquisador que identificou a variante Beta e agora a Ômicron, disse que a África do Sul tem usado a vigilância genômica para entender a transmissão e a resistência aos medicamentos de patógenos como HIV e tuberculose.
O HIV e a tuberculose, além de doenças respiratórias crônicas e diabetes, são as comorbidades comumente relatadas em crianças sul-africanas, segundo o Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul (SAMCR).

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