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Já é hora de flexibilizar o uso de máscaras contra covid-19?

  • SECOM SC -

O Estado de São Paulo pode anunciar ainda nesta semana o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre. A Vigilância Sanitária municipal de São Paulo inclusive já recomendou a liberação, baseada na melhora de alguns dos indicadores da pandemia de covid-19, como queda nas internações e diminuição das taxas de ocupação de leitos de UTI.

Outras cidades e estados brasileiros também começaram a se mover quanto à flexibilização dessa medida, amplamente adotada desde o início da pandemia para a prevenção e contenção da covid-19. Distrito Federal, Maranhão e Mato Grosso do Sul, por exemplo, não obrigam o protetor facial em ambientes abertos. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, crianças de até certa faixa etária estão liberadas do uso até mesmo nas escolas. Já na cidade do Rio de Janeiro, o uso de máscaras não é mais obrigatório nem em espaços abertos nem em locais fechados. 


A flexibilização do uso de máscaras na atual situação da pandemia no Brasil, no entanto, não é consenso entre os especialistas ouvidos pelo Terra. Embora a média móvel de casos e de óbitos estejam em queda, de acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde, o País registrou em fevereiro o maior número de mortes desde agosto de 2021 (com 22 mil óbitos) e com o maior contágio por covid em toda a pandemia (com 3,3 milhões de casos). Além disso, há receios sobre os efeitos das aglomerações que ocorreram durante o Carnaval, que só será possível analisar nas próximas semanas.

Raquel Stucchi, infectologista, professora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, avalia que a retirada das máscaras neste momento é uma decisão arriscada. "Considerando a baixa cobertura vacinal em crianças, a não disponibilização da quarta dose para os idosos, a baixa cobertura da terceira dose na população geral, acho que não faz sentido. Para mim, essa é uma discussão político-eleitoral que não prioriza a segurança da população."

A infectologista cita ainda como preocupações a chegada do Outono e Inverno, estações em que naturalmente há um aumento do risco de infecções respiratórias, bem como a dificuldade para convencer a população de retomar o uso de máscaras, se houver necessidade depois.
Stucchi também alerta que o fim do uso das máscaras pode acarretar em um aumento na transmissão do coronavírus. "Sem a máscara, aumenta a transmissão do vírus, aumenta o risco de explosão novamente de casos, aumenta as internações, principalmente da população que não está completamente vacinada ou que ainda não foi vacinada. Possibilita ainda o aparecimento de novas variantes", explica.

Segundo a infectologista, os esforços deveriam estar voltados para políticas públicas para aumentar a adesão da vacinação e o fornecimento de medicações antivirais.




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