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'Deixei tudo para trás e agora temo por meu futuro', diz brasileiro resgatado da Ucrânia

  • BBC -

Para o estudante de medicina Rony de Moura, de 34 anos, o voo da FAB (Força Aérea Brasileira) de Varsóvia, na Polônia, com previsão para chegada a Brasília nesta quinta-feira (10/3) significa o fim de uma jornada dramática e uma oportunidade de recomeço, mas em meio a grandes incertezas.

Ele faz parte do grupo de brasileiros que conseguiu deixar a Ucrânia em guerra e será resgatado pela "Operação Repatriação", do governo federal. Moura falou à BBC News Brasil do quarto do hotel onde está na capital polonesa enquanto aguarda as últimas horas antes do embarque.

"Minha vida virou do avesso. Tive que deixar praticamente tudo o que tinha no meu apartamento. Saí apenas com uma mala de 50 quilos. Nem sei se e quando conseguirei recuperar meus pertences", diz ele, que morava em Kiev, a capital da Ucrânia, agora sob bombardeio russo.

"Estava a ponto de concluir meu curso de medicina e agora já não sei mais como vou fazer isso".

Queremos contar sua história: você vai voltar da Polônia para o Brasil em voo da FAB?

Moura diz estar aliviado e feliz - ele conseguiu manter seu emprego na Ucrânia e seguirá trabalhando remotamente. Também obteve um estágio em medicina na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA), em Anápolis.

"Primeiramente, estou vivo; não me aconteceu nada. Outras pessoas não tiveram a mesma sorte. Tenho amigos que permaneceram na Ucrânia - um deles do qual não tenho notícias há uma semana. Outro está num bunker 24h por dia e só sai para se alimentar. Os donos do meu apartamento em Kiev se mudaram para o interior", conta ele, que perdeu oito quilos nas últimas semanas.

Apesar disso, Moura demonstra preocupação com seu futuro.

"Estou temeroso com o futuro; não sei como vai ser. É um misto de incerteza e ansiedade".

Ele diz que sua retirada de Kiev com outros brasileiros foi organizada pela embaixada do Brasil, que ofereceu transporte até a cidade de Lviv (no oeste do país). Dali, o grupo cruzou a fronteira com a Polônia num comboio de carros e agora aguarda a chegada do avião da FAB em um hotel para voltar ao Brasil.

"Quando saímos de Kiev, a cidade já estava sendo bombardeada. Uma bomba caiu bem perto do meu apartamento. Já faltavam alimentos nos supermercados. A água engarrafada havia acabado. Foi quando tive um choque de realidade e me dei conta de que tinha que sair dali o mais rápido possível", diz.

"Mas eu havia gastado todo o meu dinheiro comprando mantimentos e contatei a embaixada brasileira, que providenciou o meu resgate e de outros brasileiros"

"Inicialmente, queria ir à Romênia, onde a empresa para qual eu trabalho tem uma filial. Mas acabei mudando os planos. Minha família também ficou muito preocupada".
Deixando para trás a guerra na Ucrânia, Moura espera poder passar o aniversário, no próximo dia 16 de março, no Brasil, com a namorada e a família.


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