Documentário "Orquídeas Pretas" celebra a resistência e a cultura da mulher negra em Joinville

  • Foto: Divulgação -

Projeto chega à fase final de pré-produção e homenageia histórias e contribuições de mulheres negras em Santa Catarina

O documentário "Orquídeas Pretas" entrou na fase final de pesquisa e pré-produção, com o objetivo de valorizar a força e a representatividade das mulheres negras de Joinville, maior cidade de Santa Catarina. Com estreia prevista para o próximo ano, o projeto tem como foco dar visibilidade a histórias muitas vezes esquecidas, explorando a importância cultural, social e artística dessas mulheres, especialmente no samba e nas expressões artísticas desde a década de 1960 até hoje.

Nos meses de setembro e outubro, o projeto ofereceu oficinas gratuitas de câmera, áudio, roteiro, direção e outras áreas do cinema para mulheres de regiões periféricas de Joinville interessadas em participar da produção. Os workshops foram ministrados por profissionais renomados, como Renan Bett, Gabriel Bazt e Flavio Andrade, e proporcionaram uma experiência prática em técnicas cinematográficas, como roteiro, iluminação e maquiagem para cinema. A iniciativa buscou capacitar novas vozes femininas para atuarem na criação e representação do documentário.

O roteirista e coordenador do projeto, Marinaldo de Silva e Silva, destaca a relevância dessa fase de pesquisa: "Foi uma experiência enriquecedora, e estamos ansiosos para iniciar as gravações", disse. Com direção geral de Taysson Bett, da Madrigal Filmes, e apoio do edital da Lei Paulo Gustavo, "Orquídeas Pretas" reúne uma equipe multidisciplinar, que inclui pesquisadoras, figurinistas, intérpretes de libras e diretoras de arte e música.

O nome do documentário homenageia as orquídeas negras, uma espécie cuja cor é um vermelho escuro, mas que simboliza força, autoridade e resiliência. Em um contexto de sociedade majoritariamente patriarcal e germânica, "Orquídeas Pretas" busca tornar essas mulheres símbolo de resistência e inspiração para futuras gerações. Joinville, conhecida como a "Cidade das Flores", se torna o cenário ideal para essa narrativa.

O lançamento oficial do teaser ocorrerá ainda este ano, com uma prévia das entrevistas e das histórias coletadas durante a pesquisa, e será seguido por exibições em locais que representam a cultura local, como a Casa da Cultura Fausto Rocha Júnior, o Kênia Clube e o CEU Aventureiro. Além das exibições, haverá conversas com a equipe realizadora para promover uma discussão sobre representatividade e história local.


Entrevistadas na fase de pesquisa

Luiza Verônica da Costa

Nascimento 1934 - 90 anos

Dona Luiza esteve sempre acompanhando Zelândia (Dona Fioca) nas ações que envolviam o Kênia Clube, viveu em prol de levantar o nome e o clube, para que se transformasse em uma sociedade reconhecida por pessoas negras e não negras. O Kênia Clube, foi um dos primeiros clubes negros de Santa Catarina, hoje ele é reconhecido como Patrimônio Imaterial de Joinville.       

Dona Luiza e Zelândia fizeram da Sociedade Kênia um espaço cultural, multi-diverso por conta de sua resiliência.


Maria do Rocio Kösten

Nascimento 1958       

Eleita a mulher negra mais linda de Joinville na década de 70. Nascida no Bairro Guanabara, no final da década de 1950, Maria do Rocio Kösten, popularmente conhecida como Maria da Dáda (em alusão ao apelido carinhoso de sua mãe), representa o retrato da mulher preta empoderada, não só por sua beleza marcante - que lhe rendeu tanto benefícios quanto alguns problemas - mas por sua humildade e simpatia.


Alessandra Cristina Bernardino

Pedagoga, Assistente Técnico Pedagógica na Secretaria Estadual de Educação, tem experiência como professora de séries iniciais, ensino médio e ensino superior, com ênfase em Educação e Estudos das Relações Étnico raciais. Assumindo seu lugar de fala com muita referência e criatividade, escreveu a sinopse do samba enredo da Escola de Samba Príncipes do Samba de 2023. É pós-graduada em Psicopedagogia e Especialização em Fundamentos e Organização Curricular. Articuladora Comunidades Remanescentes Quilombolas de Joinville, Araquari no estado de Santa Catarina.


Equipe

Marinaldo de Silva e Silva - Idealizador, Coordenador Geral e Roteirista

Taysson Bett (Madrigal Filmes) - Diretor Geral e Proponente

Marili Terezinha Cardoso Narciza - Pesquisadora Cinematográfica

Renan Bett (Madrigal Filmes) - Diretor Cinematográfico

Clair Curvelo de França - Diretora de Arte

Gabriel Bazt - Diretor de Fotografia

Prika Lourenço - Diretora Musical

Daniela Machado - Maquiadora e Pesquisadora Maquiagem de Época

Fran Ferreira - Fotógrafa

Monica Roberta de Oliveira Costa - Figurinista (Pesquisadora de Figurino de Época)Soraia Silva (Capital Criativo) - Identidade Visual e Catálogo Didático

Nubia Amorim dos Santos - Intérprete de Libras

Rodrigo Domingos - Assessoria de Comunicação

Mari Silveira - Oficina de Produção

Flavio Andrade - Oficina de Iluminação

Thiago Cordeiro Rosa - Auxiliar Administrativo

Laerte Ferraz - Contador 

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