Palmeiras recebe R$ 50 milhões da WTorre e finaliza longa briga jurídica pelo Allianz Parque

  • Foto: Marcos Ribolli -

Clube e construtora travaram atritos por quase 10 anos, superados com acordo. Verdão teve a quantia depositada à vista para validar o acerto com a parceira na gestão da arena

Palmeiras e WTorre finalmente chegaram a um acordo que resolve todas as disputas judiciais que mantinham nos últimos anos, envolvendo questões de dívidas e divergências na administração do Allianz Parque.

As partes chegaram a um acordo envolvendo concessões sobre valores de repasses que a construtora deixou de realizar nos últimos anos da parceria, além de ajustes comerciais e operacionais que foram discutidos durante o processo de arbitragem. Também foram incluídas as dívidas que o clube tinha com a WTorre.

Segundo comunicado, a WTorre pagará R$ 50,1 milhões à vista ao Palmeiras para quitar as pendências e ainda cederá ao clube diferentes propriedades no Allianz Parque. A reportagem apurou que o pagamento desse valor será efetuado nesta quarta-feira, saldo do acordo envolvendo todas as pontas chega a R$ 117 milhões.

Após um longo acordo, o Allianz Parque finalmente terá um aumento de 1 mil assentos no setor Gol Norte, um espaço que estava sem uso desde a inauguração da arena, em 2014. Embora o clube não tenha divulgado detalhes sobre os planos para o local, havia a expectativa de que o espaço se tornasse um setor popular no estádio do Verdão.

"Este é um momento especial para todos nós, palmeirenses. Após dez anos de negociações, nossa gestão concretizou um acordo justo, benéfico para todos e fundamental para o futuro desta parceria, que ainda tem mais 20 anos pela frente. Nosso compromisso é fazer do Palmeiras um clube cada vez mais vencedor, e, para isso, queremos caminhar lado a lado com a WTorre", declarou Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Parceiros há uma década, Palmeiras e WTorre têm enfrentado uma longa disputa jurídica desde o início do contrato. A relação passou por momentos bastante tensos, mas desde o início deste ano, houve uma reaproximação que abriu espaço para novas discussões com o objetivo de encerrar as divergências na Justiça.

De acordo com o contrato, o Palmeiras tem direito a receber percentuais mensais crescentes ao longo dos 30 anos de parceria, referentes ao aluguel da arena para shows, exploração de áreas, locação de camarotes e cadeiras, além dos naming rights.

No entanto, o clube havia recebido esses valores apenas durante sete meses: novembro e dezembro de 2014, e de janeiro a junho de 2015 (exceto maio daquele ano). Por essa razão, o Palmeiras acionou a Justiça Comum, alegando que o débito, corrigido, chegava a R$ 160 milhões.

A WTorre discordava do valor, alegando que também tinha créditos a receber em outras discussões de arbitragem. No início de 2024, a construtora voltou a realizar os depósitos, demonstrando a intenção de solucionar o conflito.

"Celebrando dez anos do Allianz Parque, não poderíamos ter uma conquista mais significativa do que este acordo com o Palmeiras. O clube mais vitorioso do Brasil e a principal arena multiuso da América Latina podem, e devem, atingir novas metas juntos, agora em harmonia e com interesses alinhados. Temos muito trabalho em conjunto com o Palmeiras nas próximas duas décadas de concessão", afirmou Sílvia Torre, cofundadora e presidente do Conselho da WTorre.


As receitas do Palmeiras provenientes da locação da arena para eventos, bem como da exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento, seguem a seguinte progressão:

  • Até 5 anos após a abertura: 20%
  • De 5 a 10 anos após a abertura (estágio atual): 25%
  • De 10 a 15 anos após a abertura: 30%
  • De 15 a 20 anos após a abertura: 35%
  • De 20 a 25 anos após a abertura: 40%
  • De 25 a 30 anos após a abertura: 45%

Já as receitas relacionadas à locação de cadeiras, camarotes e o contrato de naming rights com a Allianz seguem o seguinte escalonamento:

  • Até 5 anos após a abertura: 5%
  • De 5 a 10 anos após a abertura (estágio atual): 10%
  • De 10 a 15 anos após a abertura: 15%
  • De 15 a 20 anos após a abertura: 20%
  • De 20 a 25 anos após a abertura: 25%
  • De 25 a 30 anos após a abertura: 30%

A setorização das cadeiras do Allianz Parque foi um dos assuntos resolvidos com o recente acordo, o que também esclareceu questões relacionadas ao Avanti, ao Passaporte (programa de venda de assentos da WTorre), ao Lounge Centenário e aos proprietários de cadeiras cativas.


Atrito de Longa Duração

O clube iniciou há seis anos um processo na primeira instância para cobrar uma dívida referente às receitas, que na época somava pouco menos de R$ 15 milhões. Já havia disputas na corte arbitral entre as partes envolvidas.

No início de 2018, a ação foi extinta, sob a justificativa de que o assunto deveria ser tratado na corte arbitral, como outras divergências da parceria. Contudo, o Palmeiras apresentou um recurso, argumentando que o valor devido era claro e reconhecido nos relatórios financeiros. Após três anos de tramitação, a Justiça deu ganho de causa ao clube em segunda instância, permitindo a execução judicial da dívida.

Inicialmente, o processo referia-se à quantia até 2017. Em dezembro, a dívida subiu para quase R$ 62 milhões, incluindo valores de 2018. Em março, devido à falta de definição, o Palmeiras incluiu no processo o montante total devido desde 2015, que agora ultrapassa R$ 127 milhões.

Nos últimos anos, a diretoria do clube e a WTorre tentaram alcançar um acordo abrangente que resolvesse todas as questões em disputa na parceria. Em razão disso, o processo na arbitragem ficou paralisado, assim como outros assuntos, como a construção do setor popular no Gol Norte, a​ parceria pela gestão do Allianz Parque é válida até o fim de 2044





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