Trump fecha acordo com Bukele para despachar imigrantes de outras nacionalidades

  • Foto: EFE -

Acordo entre EUA e El Salvador gera controvérsia por permitir deportação de imigrantes de outras nacionalidades

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avança com seu ambicioso projeto de deportação em massa de imigrantes ilegais, colecionando críticas em toda a América Latina. No entanto, Trump parece ter encontrado um aliado estratégico: Nayib Bukele, o polêmico e autoritário presidente de El Salvador. O acordo entre os dois líderes, inspirado no conceito de “Terceiro País Seguro”, pode mudar o cenário da imigração na região.

De acordo com fontes da rede CBS, os Estados Unidos estão finalizando os últimos detalhes para oficializar um pacto que permitirá a deportação de imigrantes ilegais para El Salvador — mesmo que não sejam de nacionalidade salvadorenha. Venezuelanos, por exemplo, poderão ser enviados para o país centro-americano, incluindo supostos membros do Tren de Aragua, gangue designada por Trump como organização terrorista logo no início de seu mandato.

A proximidade entre Trump e Bukele tem raízes em afinidades ideológicas e na admiração do presidente americano pelo rigor com que o líder salvadorenho combate o crime. Desde que Bukele assumiu o poder há cinco anos, El Salvador viu uma queda drástica na taxa de homicídios, mas à custa de políticas duramente criticadas por grupos de direitos humanos.

Em 2022, Bukele decretou estado de exceção e iniciou uma campanha massiva de prisões que colocou 2% da população do país atrás das grades — a maior taxa de encarceramento do mundo. Além disso, ele construiu a maior prisão do planeta, com capacidade para 40 mil detentos, consolidando sua imagem de líder implacável no combate à criminalidade.

Apesar das críticas, Bukele desfruta de alta popularidade interna e tem recebido elogios de Trump e de figuras como o secretário de Estado, Marco Rubio. Prestes a iniciar uma visita diplomática à América Central, Rubio destacou Bukele como um exemplo de “liberdade” na região, contrastando com a relação tensa que o governo Trump mantém com líderes de países como a Colômbia.

Para Trump, a colaboração com Bukele é uma peça-chave para concretizar sua política de imigração. Contudo, a estratégia inclui ameaças econômicas para os países que se recusarem a cooperar. Durante o último fim de semana, Trump ameaçou impor tarifas à Colômbia caso o presidente Gustavo Petro, com quem mantém um relacionamento conturbado, não aceitasse voos militares com imigrantes deportados.

O atual movimento de Trump retoma esforços iniciados durante seu primeiro mandato, quando tentou acordos semelhantes com Guatemala, El Salvador e Honduras, suspensos após a posse de Joe Biden. Agora, com seu projeto de deportações em ritmo acelerado, a parceria com Bukele promete reacender o debate sobre imigração e direitos humanos na região.

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