Projeto com emenda parlamentar vai digitalizar e preservar a trajetória do artista catarinense Juarez Machado
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Foto: Divulgação -
Iniciativa viabilizada com recursos do Ministério da Cultura cria acervo digital e espaço de pesquisa sobre a vida e a obra de um dos maiores nomes da arte brasileira contemporânea
Teve início o projeto de mapeamento, digitalização, curadoria e sistematização de registros audiovisuais e documentais sobre a trajetória do artista catarinense Juarez Machado. A iniciativa conta com investimento de R$ 200 mil do Ministério da Cultura, viabilizado por meio de emenda parlamentar da senadora Ivete da Silveira, e tem como objetivo preservar, organizar e ampliar o acesso à memória de um dos mais importantes artistas brasileiros da atualidade.
O projeto contempla diferentes fases da vida e da produção artística de Juarez Machado, com pesquisas nas cidades de Joinville, Curitiba, Rio de Janeiro e Paris. Serão reunidos documentos históricos, fotografias, depoimentos, registros audiovisuais e projetos que marcaram a atuação do artista no Brasil e no exterior, formando um amplo acervo cultural e artístico.
Todo o material será organizado e disponibilizado ao público por meio de uma plataforma digital, facilitando o acesso de pesquisadores, estudantes, professores e interessados em artes visuais e cultura. Também está prevista a implantação de uma sala física de leitura e estudos na sede do Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville, onde ficará disponível tanto o novo acervo quanto o material já existente da instituição.
Como parte das ações formativas, o projeto prevê a realização de dez encontros técnico-educativos voltados a professores e estudantes. As atividades têm foco no estímulo à pesquisa em artes plásticas e visuais, na valorização da produção artística brasileira e no fortalecimento do vínculo da comunidade com o Instituto.
A iniciativa está alinhada aos objetivos da Ação 20ZF do Ministério da Cultura, contribuindo para a valorização, preservação e difusão da cultura nacional. Neste momento, o projeto encontra-se em fase inicial, com o início dos trabalhos de pesquisa nos arquivos do Instituto Internacional Juarez Machado, dando os primeiros passos para a consolidação de um importante centro de referência sobre a vida e a obra do artista.
Juarez Machado: trajetória e legado
Juarez Machado nasceu em 16 de março de 1941, em Joinville (SC). Filho de João Machado de Oliveira, caixeiro viajante, e de Leonora Busch Machado, pintora de leques, demonstrou desde cedo o desejo de seguir a carreira artística. Aos 11 anos, pintou seu primeiro quadro a óleo, inspirado por um livro recebido do avô.
Em 1961, mudou-se para Curitiba para estudar na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde aprofundou técnicas artísticas e recebeu seu primeiro prêmio no Salão dos Novos, com a obra “Operários do Itaum”, que retrata a rotina dos trabalhadores industriais de sua cidade natal. Nesse período, também teve seu primeiro contato com a televisão, atuando no antigo Canal 6 da TV Paraná.
Em 1966, Juarez instalou seu ateliê no Rio de Janeiro, onde passou a conviver com nomes como Juca Chaves, Jaguar e Millôr Fernandes. Além da pintura, destacou-se com charges de humor publicadas em jornais de todo o país e com suas mímicas na abertura do programa Fantástico. “Saí de Curitiba sabendo pintar uma laranja. No Rio, precisei aprender a contar uma história com ela”, costumava dizer.
Na década de 1980, estabeleceu seu ateliê em Paris, no bairro de Montmartre, aprofundando estudos técnicos e consolidando sua carreira internacional, com exposições em países como Japão, Estados Unidos, Rússia e diversas capitais europeias, além do Brasil.
Em 2014, Joinville passou a abrigar o Instituto Internacional Juarez Machado, instalado na casa de infância do artista e em dois pavilhões expositivos. O espaço tornou-se um importante polo cultural, recebendo exposições, shows, feiras, lançamentos de livros, apresentações de dança, festivais e diversas ações culturais.

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