Política

Bolsonaro diz que Forças Armadas que 'sabem o que é o melhor para o país'

  • diariodocomercio.com -

O presidente Jair Bolsonaro voltou a levantar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, nesta terça-feira, na cerimônia em que foi comemorado o Dia do Exército.

"Todos sabem que a alma da democracia repousa na tranquilidade e na transparência do sistema eleitoral. Sistema esse que deve ser cada vez mais zelado por todos nós. Quem dá o norte para nós são as urnas. Não podemos jamais ter uma eleição no Brasil que sobre ela paire o manto da suspeição", disse Bolsonaro, que frequentemente, e sem apresentar provas, levanta suspeitas sobre o sistema eletrônico de votação.

No último sábado, em entrevista, Bolsonaro chegou a dizer que suspeita do sistema eleitoral e desafiou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, a prendê-lo ou cassá-lo por duvidar do sistema.

Em um discurso repleto de insinuações, Bolsonaro disse ainda que são as Forças Armadas que "sabem o que é o melhor para o país".

"As Forças Armadas não dão recado, elas estão presentes. Elas sabem como proceder, sabem o que é melhor para seu povo, o que é melhor para seu país", disse.

"Elas têm participação ativa na garantia da lei e da ordem, da nossa soberania e do regime ao qual o povo quer viver. E nós sabemos que esse regime acima de tudo está a nossa liberdade."

Em mais uma fala dúbia, Bolsonaro sugeriu ainda uma ação do Exército em 2016, ano em que ocorreu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Também agora em 2016, em mais outro momento difícil da nossa nação, a participação do então comandante do Exército Villas Bôas marcou a nossa história", afirmou, referindo-se ao general Eduardo Villas Bôas.

Em 2018, às vésperas da votação pelo Supremo Tribunal Federal de um habeas corpus para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava preso, o então comandante do Exército usou o Twitter em uma aparente tentativa de intimidação da corte.

"Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais", escreveu Villas Bôas na ocasião.

O STF negou então o habeas corpus. No segundo semestre de 2019, o tribunal derrubou a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, o que levou à libertação de Lula. No ano passado, todos os processos contra o ex-presidente no âmbito da operação Lava Jato em Curitiba foram anulados depois do então juiz do caso, Sergio Moro, ser considerado suspeito.


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