Volta da torcida traz alívio aos grandes clubes paulistas após prejuízo sem bilheteria
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Terra -
O tão esperado reencontro do torcedor com o seu time na cidade de São Paulo ocorre nesta terça, quando o corintiano terá a oportunidade de assistir ao duelo contra o Bahia na Neo Química Arena, às 21h30. A partida da 24ª rodada do Brasileirão é a primeira na capital paulista com público nos estádios desde 11 de março de 2020, dia em que quase 40 mil são-paulinos viram o time vencer no Morumbi a LDU por 3 a 1 em jogo da primeira fase da Libertadores. A pandemia de covid-19 eclodiu no Brasil e, desde março do ano passado, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos ainda não atuaram com o apoio de seu torcedor. Vão voltar a desfrutar dessa experiência nesta semana e comemoram o dinheiro fruto de bilheteria que retornará aos cofres depois de deixarem de arrecadar quase R$ 200 milhões.
Em mais de um ano e meio sem torcida no Allianz Parque, Neo Química Arena, Morumbi e Vila Belmiro, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos lamentaram não ter o incentivo de seu torcedor de perto, cantando, festejando gols e, em alguns casos, até vaiando. A frustração é motivada por interesses esportivos e, também, financeiros. Tão doloroso quanto o silêncio dos estádios foi o prejuízo com a ausência de bilheteria, uma das principais fontes de renda das equipes.
Segundo levantamento da consultoria Sports Value, os quatro principais clubes de São Paulo somaram quedas das receitas referentes à bilheteria de R$ 146 milhões em 2020 comparando os valores com o ano anterior. Considerando os jogos de 2021, a perda acumulada chega a R$ 171 milhões. O cálculo considera apenas o dinheiro ganho com ingressos. O faturamento proveniente de produtos oficiais, alimentos e bebidas e sócio-torcedor, que são parte do "matchday", não estão nessa conta.
O Corinthians arrecadou R$ 62,3 milhões com bilheteria em 2019 e, com poucos jogos com torcida em 2020, só ganhou R$ 7,3 milhões. Em 2019, o Palmeiras recebeu cerca de R$ 45 milhões e viu entrar em seus cofres apenas R$ 6,8 milhões no ano seguinte. O São Paulo registrou queda de renda com bilheteria de R$ 38,8 milhões para R$ 6,5 milhões. Como costuma levar menos torcedores à Vila Belmiro, estádio com capacidade de público menor que o dos rivais, o Santos teve um prejuízo menor. Declínio de R$ 24 milhões para R$ 4 milhões.
Palmeiras e Corinthians estiveram nos últimos anos entre os líderes em faturamento com bilheteria. Naturalmente, lamentaram o prejuízo milionário e comemoram a volta dos fãs aos estádios, ainda que parcialmente neste mês. Impulsionado pelo bom momento dentro de campo, com adesão em massa da torcida ao Allianz Parque, o time alviverde registrou ganhos de R$ 74,1 milhões com ingressos em 2017 e R$ 86,5 milhões em 2018. Em situação semelhante, no mesmo período, a equipe alvinegra recebeu R$ 63,8 milhões e R$ 60,6 milhões. O São Paulo arrecadou R$ 27 milhões em 2017 e R$ 30,8 milhões em 2018. O Santos pulou de R$ 26 milhões para R$ 27,4 milhões nos anos citados.
A bilheteria havia atingido o maior valor na história do futebol brasileiro em 2019. As vendas de ingressos somadas dos 20 principais times do País alcançaram R$ 486 milhões em 2019, valor impactado especialmente por Flamengo e Palmeiras. Quando somada com as receitas de sócio-torcedor, cujo foco é a ida aos jogos, a receita conjunta atingiu no mesmo ano R$ 961 milhões para esses 20 times.
Em 2020, com quase toda a temporada com portões fechados, o valor caiu para R$ 502 milhões. No ano passado, os clubes apostaram em inovações tecnológicas e ações nas redes sociais para mitigar o prejuízo e deixar o torcedor menos distante, engajando-o no ambiente virtual.

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