O presidente afegão Ashraf Ghani deixou o Afeganistão neste domingo após combatentes do Talibã chegarem à capital Cabul, consolidando o retorno do grupo ao poder, duas décadas após ter sido retirado por forças militares lideradas pelos Estados Unidos. Diplomatas norte-americanos foram retirados da embaixada de helicóptero após os militantes varrerem o território do país em dias com pouca resistência das forças locais treinadas e equipadas pelos Estados Unidos e outros por bilhões de dólares.
O Talibã pediu que autoridades governamentais ficassem, mas autoridades disseram que Ghani havia deixado o país. Não ficou claro para onde ele estava indo. Um oficial sênior do Ministério do Interior afirmou que ele foi para o Tadjiquistão, embora uma autoridade do Ministério de Relações Exteriores tenha dito que não se sabia para qual país ele iria.
Um representante do Talibã disse que o grupo estava verificando o paradeiro de Ghabi. Alguns usuários de redes sociais o chamaram de "covarde" por tê-los deixado no caos.
Os guerrilheiros do Talibã chegaram a Cabul "por todos os lados", afirmou a autoridade sênior do Ministério do Interior à Reuters, e houve informações sobre disparos de tiros esporádicos em torno da cidade.
Não foram registrados confrontos significativos e o grupo disse que estava esperando pela rendição pacífica do governo apoiado pelo Ocidente."Os combatentes do Talibã estão de prontidão em todas as entradas de Cabul até que uma transferência pacífica e satisfatória de poder seja acertada", disse o porta-voz Zabihullah Mujahid.
Muitos afegãos temem que o Talibã irá retornar com práticas duras na imposição da Sharia, a lei Islâmica. Durante o domínio do grupo entre 1996 e 2001, as mulheres não eram permitidas a trabalhar e punições como apedrejamento, açoitamento e enforcamento eram praticadas.
O grupo buscou projetar uma face mais moderada, prometendo respeitar os direitos das mulheres e proteger tanto os estrangeiros como os afegãos. Um outro porta-voz, Suhail Shaheen, disse que o Talibã irá proteger os direitos das mulheres, assim como as liberdades de profissionais da imprensa e diplomatas.
"Nós garantimos às pessoas, especialmente na cidade de Cabul, que suas propriedades e suas vidas estão em segurança", disse Shaheen à BBC, falando que a transferência de poder era esperada para os próximos dias.O ministro do Interior em exercício, Abdul Sattar Mirzakawal, disse que a passagem de poder seria feita a um governo de transição. Não haverá um ataque à cidade, está acordada uma concessão pacífica", publicou ele no Twitter.
Muitas das ruas de Cabul estão abarrotadas por carros e pessoas tentando chegar em casa ou ao aeroporto, disseram moradores.O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse que em Washington a embaixada está sendo transferida para o aeroporto e tem uma lista de pessoas a serem colocadas fora de risco.
Uma autoridade da Otan disse que a aliança está ajudando a assegurar o aeroporto e que a solução política era "agora mais urgente que nunca".Mais cedo no domingo, os insurgentes capturaram a cidade de Jalalabad, no leste do país, sem combates, garantindo o controle de uma das principais rodovias do Afeganistão. Eles também tomaram o posto de fronteira de Torkham com o Paquistão, tornando o aeroporto de Cabul a única saída do país que ainda está nas mãos do governo.
"Permitir a passagem do Talibã foi a única maneira de salvar vidas de civis", afirmou uma autoridade afegã em Jalalabad à Reuters.O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou o destacamento de 5 mil tropas norte-americanas para ajudar a retirar os cidadãos a garantir uma retirada "ordenada e segura" de efetivos militares.
Biden disse que seu governo havia dito a autoridades do Talibã em negociações no Catar que qualquer ação que colocasse funcionários norte-americanos em risco "terá em troca uma resposta militar rápida e forte dos Estados Unidos".
O presidente democrata enfrenta críticas domésticas crescentes após se ater a um plano, iniciado pelo seu antecessor Donald Trump, para encerrar a missão dos EUA no Afeganistão até o dia 31 de agosto."Uma presença norte-americana interminável no meio do conflito civil de outro país não é aceitável para mim", disse Biden no sábado. (Terra)

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