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Covid-19: Estados veem vacinação mais lenta de adolescentes após fake news e confusão do ministério

  • EBC -

Estados brasileiros relatam queda no ritmo da vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos contra a covid-19, após fake news relacionadas ao risco do imunizante para essa faixa etária e vai-vém de diretrizes por parte do governo federal. Para alcançar os adolescentes, governos locais aplicam a vacina em escolas e avaliam até a cobrança de passaporte sanitário dos estudantes nos colégios.

A vacinação de adolescentes começou em momentos diferentes nos Estados brasileiros, mas, oficialmente, o governo federal passou a enviar doses para este público a partir do dia 15 de setembro. No dia seguinte, porém, tirou adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades da lista de grupos cuja vacinação contra a covid-19 é recomendada.

O Ministério argumentava que a vacinação de adolescentes não era indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) - o que não é verdade. A vacinação contra a covid-19 em adolescentes é considerada por especialistas em todo o mundo como a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de adoecimento dessa população, conter a disseminação do vírus e superar a pandemia. A vacina é segura para esta faixa etária.

O recuo do Ministério da Saúde, com a recomendação para continuar aplicando a vacina em adolescentes, veio seis dias depois. Boa parte dos Estados manteve a vacinação de 12 a 17 anos naquela semana, apesar da recomendação contrária do governo federal. Mesmo assim, perceberam queda no ritmo de procura pelo imunizante, que até hoje não voltou aos parâmetros anteriores. Considerando todo o País, o Ministério da Saúde estima que a cobertura com a primeira dose nos adolescentes está em 68,6% - foram aplicadas 12,6 milhões de doses.

No Rio Grande do Norte, que já havia começado a vacinar adolescentes antes do dia 15 de setembro, a aplicação chegava a 10 mil doses por dia, segundo Kelly Lima, coordenadora de Vigilância em Saúde do Estado. Depois da confusão de diretrizes do governo federal, o Estado não chega a aplicar nem metade das doses diárias que fazia anteriormente. A cobertura da primeira dose da vacina em adolescentes no Rio Grande do Norte está em 56%.

Segundo Kelly, o Estado recebe dúvidas de pais em canais de atendimento. "Boa parte dos questionamentos são de pais ou responsáveis perguntando quais artigos científicos, quais publicações relatam a eficácia (da vacina contra a covid-19)." O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chegou a ir a Natal na mesma semana em que suspendeu a recomendação - na ocasião, desencorajou a vacina para esta faixa etária.

O presidente Jair Bolsonaro também tem, em diversas ocasiões, se posicionado contrário à vacinação de crianças e adolescentes. Em Roma, onde ocorreu na semana passada o encontro do G-20, grupo de países com as 20 maiores economias do mundo, Bolsonaro usou o tempo em que esteve com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, para criticar a autonomia dos Estados e a vacinação dos mais jovens.

O Espírito Santo calcula que, com as estratégias do Estado para atingir esse público, a cobertura com a primeira dose já poderia ter chegado a 90% (como ocorre com os adultos), mas está em 73% para a faixa etária dos adolescentes. "O que acabou desencadeando um impacto maior no público adolescente foi (o governo federal) ter recuado com relação à indicação da vacinação logo no início. Isso fez com que as famílias ficassem em dúvida se era importante vacinar os filhos", diz a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações do Espírito Santo, Danielle Grillo.


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