Jornal do Iririú

  • Compromisso com a Comunidade - Periodicidade mensal – circulação última semana do mês.

 

Jornal DE PIRABEIRABA

  • A voz da Comunidade - Periodicidade mensal circulação última semana do mês

 

Fones: (47) 3025-4832  - 99110-4832 (WhatsApp)

E-mail  imprensa@jornalbairros.com.br

www.facebook.com/jornaldoiririu

www.jornalbairros.com.br

© 2018 por Jornal Bairros. Todos Direitos Reservados - Jornal do Iririú

(47) 3025-4832

  • Sérgio Luís

Conteúdo de carta escrita por leitor morto há mais de 30 anos é agora revelado

A História não é uma Ciência exata, nela, nada é definitivo. Partindo deste princípio é que decorridos 32 anos volto a escrever sobre o início de uma empresa, a maior de Joinville. Fatos não narrados na matéria que produzi para a o jornal O Estado, edição de 9 de março de 1987 (aniversário de Joinville) foram lembrados através de correspondência recebida de um leitor ilustre, residente em Blumenau, escrita em 22 de março de 1987, contendo informações ausentes na publicação.

Na carta datilografada o autor demonstra fartos conhecimentos sobre a história de nossa cidade, principalmente sobre as origens da maior empresa de Joinville. Chamado pelo Criador um ano depois de enviar a carta, o missivista natural da Alemanha, deixou um exemplo de trabalho e legado de cultura, respeito e amor ao Brasil.

O leitor inicia cumprimentado o repórter pela matéria que classifica de “excelente”. Depois de citar que se refere ao conteúdo da página 15 do jornal O Estado, edição de 9 de março de 1987, título “Aspecto Industrial”, a partir do ponto em que a matéria informa a data de fundação da empresa Fundição Tupy, em 9 de março de 1938, como uma pequena fundição de propriedade de Albano Schmidt, o missivista contesta o autor da matéria.

“Mera fantasia e longe da realidade”. Mais adiante considera o repórter um “desinformado como quase todos os nossos conterrâneos” em relação às autênticas raízes e a origem da Fundição “Seja-me permitido narrar-lhe, para a sua orientação, em breves traços, como realmente se deu a história, baseando-me, além das minhas recordações pessoais, em informações herdadas de pessoas envolvidas nos acontecimentos , já falecidas.

A história

“Tudo começou em 1908, quando o cidadão Frederico Birckolz, então dono de uma modesta ferraria colonial no centro de Joinville,convidou o mecânico August Klimmek para uma sociedade (capital 3 contos de reis) constituindo-se assim a primitiva firma Birckolz & Klimmek”.

“Entretanto, o novo sócio, com ideias mais progressistas e pouco entusiasmado com a rotina de uma ferraria convencional (consertar carroças de colonos, ferrar cavalos, etc.), possuidor de vastos e sólidos conhecimentos e prática em engenharia mecânica, em fundição de metais, etc., adquiridos em longos anos de apredizagem e de intensiva formação profissional, na Alemanha, tomou a iniciativa de ali instalar uma oficina mecânica, solda a oxigênio, absoluta novidade em Joinville e ainda uma modesta fundição de ferro, visando produzir uma boa linha de artigos para o comércio da colônia.”

“Assim, bem-sucedida empresa, notadamente no setor mecânico, com construção de determinadas máquinas para as indústrias (têxteis, serrarias, etc.) que na época vinham se instalar na colônia/cidade, e fazendo-se sentir a falta de um engenheiro graduado, foi admitido na sociedade o engenheiro Enterlein e alterada a razão social para “Birckolz, Klimmek & Enterlein”.

“Anos mais tarde, depois da 1ª Guerra Mundial (que deu bastante impulso à empresa, devido a falta total de importações, durante alguns anos) agora já uma indústria em acelerada expansão, com já elevado número de operários. Foi construída aquela enorme e bonita área industrial, na esquina com a Senador Schmidt (próximo à Wetzel) inelismente já demolida, pois foi lá o autêntico berço da Fundição Tupy, conforme logo veremos”.

“Em 1921, retirando-se da sociedade o Sr. August Klimmek (o mesmo que anos depois fundou a famosa indústria ‘Condor’ em São Bento do Sul a firma prosseguiu sob a rezão social de “Birckolz & Enterlein” e mais tarde, tendo falecido o Sr. Frederico Birckholz e a conseqüente entrada de novos capitalistas, passou para “Enterlein, Keller & Cia.” E, com o falecimento ainda do Sr. Enterlein, simplesmente “Keller & Cia” – mais tarde transformada em Sociedade Anônima.”

“Foi nessa fase que Albano Schmidt entrou na empresa como simples funcionário. Jovem muito simpático, educadíssimo , dotado de invulgar inteligência e dinamismo, uma autêntica mola propulsora, aí iniciou a sua verdadeira carreira até alcançar, merecidamente, a liderança na empresa (na época, já uma potência, uma das maiores e mais destacadas indústrias de Joinville, com muitas centenas de operários ) que Albano Schmidt transformou em ‘Fundição Tupy’ cuja história tem sido bastante divulgada.”

O leitor encerra sua carta afirmando; “Portanto, em 1938, já não era nenhuma ‘pequena fundição”de propriedade de Albano Schnidt’, como se lê na citada publicação.”

“Sem dúvida, Albano Schmidt foi o maior gênio entre todos os industriais de sua geração , neste Estado”, encerra o leitor.

Atenciosas saudações


Martin Meyer – rua Iguaçu, 210 – Blumenau

A carta

Ao rever meu arquivo de textos e imagens acumulados por mais de meio século de atuação em emissoras de radio e redação de jornais, o que faço com certa frequência, tive a atenção despertada por uma carta datilografa e ainda no interior do envelope original.

Recebi a correspondência assinada pelo leitor Martin Meyer, quando eu exercia a gerência do jornal O Estado, em Joinville. Em comemoração aos 132 anos de Joinville, produzimos o caderno especial focalizando vários aspectos da cidade, incluindo suas indústrias.

Ao fazer referência à Fundição Tupy, abri a matéria informando que em 9 de março de 1938 a empresa havia iniciado suas atividades a partir de uma pequena fundição. Conhecedor da história,o leitor não hesitou em contrariar o repórter e relatar a sua versão publicada agora, mais de 30 anos depois de seu falecimento. Clique nos links abaixo para acessar a carta original-cópia.

https://static.wixstatic.com/media/015838_3c27d79afb6a4dfb9adaadef66408f8d~mv2_d_1700_2200_s_2.jpg


https://static.wixstatic.com/media/015838_8bb2acc7e34841339d30758908677bf8~mv2_d_1700_2200_s_2.jpg


Martin Meyer, autor da carta

O autor da carta

Apesar de conter a identificação do remetente, incluindo nome completo, endereço e número da caixa postal, para a publicação da carta havia a vontade de conhecer melhor o missivista. Pesquisas indicaram que um empresário blumenauense com o mesmo sobrenome havia presidido a Acib – Associação Empresarial de Blumenau.

Depois de conseguir o número do celular ligamos para o ex-presidente da Acib, empresário Hans Martin Meyer. Nossa tarefa foi facilitada pela forma gentil com que atendeu nossa primeira ligação. Pediu desculpas por não poder se alongar na ligação, mas que ligaria mais tarde.

Pouco tempo depois retornou e justificou o fato de não haver se alongado anteriormente por estar na cadeira do barbeiro. Falei a ele sobre a existência da carta de Martin Meyer. Foi a partir deste momento que aumentou o meu desejo de revelar o conteúdo da correspondência.

Ficamos sabendo que o empresário é filho de Martin Meyer, o autor da carta. cordial durante toda a longa conversa, Hans Martin Meyer, presidente da Acib no período 1993/1997, fez curiosas revelações sobre a trajetória de seu pai desde a sua chegada no Brasil.

Natural da Alemanha, região da Baviera, Martin Meyer, contabilista formado, deixou seu país com destino a Blumenau. Em Santos, uma das escalas do navio conheceu o proprietário de uma oficina de bicicletas em Joinville que embarcou de volta. Durante o percurso Martin ouviu do mecânico um relato sobre Joinville e as possibilidades de conseguir emprego.

Quando o navio chegou ao porto de São Francisco do Sul, Martin já havia tomado a decisão de ficar em Joinville. O empresário Germano Stein estava no porto, provavelmente em busca de pessoas para trabalhar na sua empresa em fase crescimento, especialmente por ter se transformado no maior revendedor de bicicletas.

Como o mecânico conhecia Germano Stein, apresentou Martin ao empresário. No mesmo instante recebeu proposta para trabalhar na empresa Germano Stein. Foi contratado e depois de passar por várias funções assumiu a gerência a filial da empresa na cidade de Mafra, foi seu primeiro gerente.

Além de testemunha ocular do desenvolvimento da época de Joinville, nutria por nossa cidade uma grande paixão. Seus conhecimentos sobre a história da Fundição Tupy foram enriquecidos por ter casado com uma filha de August Klimmek, que até 1921 foi sócio empresa Birckolz, Klimmek & Enterlein.

Agradecimentos

Ao autor da carta, Martin Meyer (in memoriam) pela disposição e altruísmo em transferir conhecimentos revelando sua versão sobre o início da Fundição Tupy, um entre muitos legados Ao empresário blumenauense Hans Martin Meyer, pela forma gentil com que atendeu nossos telefonemas, contribuindo decisivamente para acrescentar valiosas informações sobre a vida do missivista.


Ary Silveira de Souza



  • página facebook